Home office e distanciamento social requerem cuidados com a saúde mental


Laura Nogueira, psicóloga e tecnologista da Fundacentro, mostra como prevenir o adoecimento psíquico neste cenário de pandemia do coronavírus


Por Serviço de Comunicação Social da Fundacentro em 01/04/2020


Com a pandemia da Covid-19, uma nova realidade se impôs a parte dos brasileiros: o home office e o distanciamento social. As pessoas precisam estabelecer novas rotinas e utilizar a tecnologia a seu favor para manter o contato social e, assim, preservar sua saúde mental. “Neste momento, uma das características mais preocupantes quando se fala de saúde mental é a questão do distanciamento social, a brusca quebra da rotina, e para muitos trabalhadores a possibilidade de queda da renda. Fatores que podem levar ao mal-estar psicológico”, alerta Laura Nogueira. “Assim, é importante que se pense em estratégias tanto na perspectiva individual quanto governamental para a prevenção da sáude mental”, completa a pesquisadora, que possui pós-doutorado em Psicologia pela Universidade Federal do Pará-UFPA e mestrado em Saúde Pública pela Fiocruz. Neste contexto, a disponibilização de serviços que atendam as demandas mais graves em saúde mental precisa ser mantida.

Prevenção Quando se passa a trabalhar em casa, é necessário o estabelecimento de uma nova rotina com definição clara de horários de trabalho e de horários para outros afazeres, como descanso, atividades domésticas e de lazer. “O home office permite uma flexibilidade de horário que se não for bem gerenciada pode ocasionar sobrecarga de trabalho. Um local mais reservado na casa e o estabelecimento de rotinas de trabalho tornam-se essenciais para estabelecer uma fronteira entre o trabalho e a vida pessoal. Assim como o estabelecimento de um tempo para o descanso e o desenvolvimento de atividades de lazer”, explica a tecnologista da Fundacentro. O compartilhamento de tarefas, principalmente as domésticas, com outros familiares é fundamental. “A condição das mulheres em nossa sociedade torna ainda mais complexa a questão do home office, uma vez que ainda coordenam ou realizam as tarefas domésticas como cozinhar, arrumar a casa, cuidar dos filhos”, destaca Nogueira. As consequências podem ser sobrecarga e maior vulnerabilidade psíquica. “Percepção de não ter tempo para nada e nem para si; sensação de impotência quanto ao não cumprimento das tarefas, sejam elas autoimpostas ou impostas por chefes, colegas e familiares; falta de reconhecimento, seja no trabalho ou trabalho doméstico, podem favorecer sentimentos de ansiedade, angústia, impotência, incapacidade, inutilidade, entre outros”, afirma a psicóloga. “Para aquelas mulheres chefes de família e sem apoio familiar, a dificuldade torna-se maior. A busca de ajuda de amigos, vizinhos ou até mesmo especializada aos primeiros sinais de sofrimento psíquico pode ser útil no momento de crise para evitar o desenvolvimento de quadro de adoecimento mental”, sugere.

Contato social Mas como buscar contatos em um momento de distanciamento social? A dica é utilizar a tecnologia a próprio favor. “Manter-se conectado pelas redes sociais com colegas de trabalho, amigos, familiares pode ser uma opção para aqueles que tem acesso a tecnologia”, afirma Laura. Também é preciso respeitar as características individuais das pessoas da casa. Ao se estabelecer regras de convivência, as relações interpessoais ficam mais fáceis. “Para os que estão em confinamento com outras pessoas e familiares, conversar, realizar atividades coletivas como jogos, assistir filmes juntos ou qualquer atividade de lazer agradável a todos pode ser uma opção”, indica. Empatia e solidariedade são outras palavras-chave neste momento de pandemia. “Manter-se empático seja com pessoas conhecidas como familiares, colegas de trabalho, que apresentam sintomas da doença ou com outras pessoas não próximas, independentemente de raça, gênero, nacionalidade. O mundo todo foi atingido e não devemos ser preconceituosos e estalecer práticas excludentes. Neste momento, todos estamos vulneráveis”, reflete a psicóloga. Para quem não está em nenhum grupo de risco, solidariedade e empatia podem fazer a diferença na vida de pessoas mais vulneráveis, como idosos ou doentes crônicos. “Proteja-se e apoie os outros ajudando-os em seus momentos de necessidade, por exemplo, telefone para seus vizinhos ou pessoas em sua comunidade que precisam de assistência extra”.

Excesso de informação Segundo a psicóloga, o excesso de informações também pode ser prejudicial ao colocar as pessoas em estado de alerta constante, o que pode gerar ansiedade e angústia. Notícias falsas e sensacionalistas podem suscitar pensamentos de impotência, medo e até mesmo pânico. Por isso, é preciso buscar informações em fontes fidedignas para compreender o que está ocorrendo, como Organização Mundial da Saúde - OMS, Organização Pan-Americana da Saúde - Opas, instituições de pesquisa e autoridades sanitárias locais. Outra dica importante é ter em mãos contatos de telefone e endereços de serviços e unidades de saúde em caso de manifestação de sintomas de Covid-19, para favorecer um atendimento mais breve.


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